A agricultura familiar brasileira carrega consigo mais do que técnica e produtividade, ela carrega história, identidade e afeto. Em Rio do Oeste, a trajetória da Família Paterno é um exemplo vivo de como a sucessão no campo, quando fundamentada no exemplo e no amor pela terra, consegue atravessar gerações, superar crises de mercado e acompanhar a evolução tecnológica sem perder as suas raízes.

A relação da família com a lavoura começou de forma tímida, fruto do esforço puro e simples do pioneirismo local. O trabalho, que começou pequeno, foi fundamental para o que a propriedade se tornaria décadas depois.

“Meu avô foi pioneiro aqui em Rio do Oeste a trabalhar com o arroz. Daí veio meu pai, eu segui no cultivo do arroz e hoje estou passado aos meus filhos”, disse orgulhoso o produtor de arroz, Edson Paterno.

Segundo o produtor, o início dessa jornada exigia um esforço grande, em uma época em que a tecnologia no campo era inexistente. “Era um quadrinho de arroz com meu avô, que fazia tudo de forma manual, cortando arroz na foice e trilhando com cavalos. Depois, esse arroz era trocado por outros produtos que ele não tinha ou não produzia”, conta.

Com o passar dos anos, o trabalho braçal deu lugar à modernização. As máquinas assumiram o ritmo da colheita e a produção expandiu, acompanhando as transformações tecnológicas do setor agrícola.

“Depois disso as coisas foram acontecendo e, junto com o tempo, se modernizando, até chegar ao que temos hoje. Nós já passamos por várias fases. No momento é a competição com o mercado internacional e a desvalorização do nosso produto aqui que mais nos prejudicam”, relata ao comentar sobre o cenário mercadológico atual.

Novas gerações continuam a escrever história de trabalho da família Paterno

Em muitas propriedades rurais brasileiras, a sucessão familiar se tornou um motivo de preocupação, mas este passa longe de ser o caso dos Paterno. Nela, a continuidade do negócio não acontece por imposição, mas pela vivência diária e pelo orgulho do legado construído.

No meio dos arrozais, Edson e os filhos, Vitor e Gabriel, trabalham e aprendem lado a lado. “A gente cresceu no meio do banhado do arroz, sempre junto com o nosso pai. Eu digo que aqui foi a nossa maior formação de vida”, afirma Gabriel.

Para a nova geração, assumir a liderança ao lado dos pais é tanto um privilégio quanto uma grande responsabilidade, mantendo também o compromisso com parcerias históricas na região, como o trabalho com a Cravil. “A missão é ainda maior agora. O pai sempre teve nome forte na Cravil, na produção de arroz e de sementes. Trabalhar em família é divertido. Ouvir o ronco das máquinas de manhã cedo, sair junto com o pai, trabalhar juntos e aprender com ele. Isso não tem preço”, finaliza o filho Vitor.

Mais do que produzir grãos de qualidade, a família Paterno cultiva valores que garantem que essa tradição continue viva e forte, de geração em geração, mantendo o amor e a tradição na produção de arroz.

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